A Temperatura da Água para o Fitness Aquático

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Uma temperatura em torno de 28º a 30º C é a mais confortável para as aulas de fitness aquático. Neste intervalo, a temperatura é considerada morna e permite ao corpo responder aos exercícios propostos e ao crescente aumento da temperatura corporal. 

Os benefícios do resfriamento continuam a ser sentidos, à medida que o calor do corpo aumenta devido à atividade vigorosa. Mesmo assim, ainda existe um pequeno risco de superaquecimento. Na água fria, abaixo de 26º C, as respostas fisiológicas do corpo se alteram. Com a diminuição da temperatura, o metabolismo corporal e a freqüência cardíaca diminuem, as funções circulatórias tornam-se mais baixas e a maioria dos fluídos do corpo permanece na região do tronco, para manter o funcionamento e o aquecimento dos órgãos vitais. 

Se a circulação diminuir nas extremidades, os músculos permanecem frios e inflexíveis, aumentando o risco de lesão. A isquemia (falta de oxigênio) pode ocorrer nos músculos das extremidades por causa da diminuição do fluxo sangüíneo. Isso causará cãibras, mais notadamente na região da panturrilha. Deve-se destacar que a natação e outros exercícios de baixo impacto podem ser realizados em temperaturas ligeiramente mais baixas. O impacto provocado por alguns tipos de exercícios, como os realizados em águas rasas, parece favorecer a cãibra. 

Embora temperaturas em torno de 22º e 25º C estejam dentro de um limite aceitável para a natação, talvez sejam muito frias para os programas de exercícios de impacto vertical, podendo provocar lesões. Por outro lado, tentar atingir os benefícios do condicionamento físico em temperaturas em torno, ou acima, de 32º C pode não dar bom resultado. Esta faixa de temperatura é muito quente para programas de exercícios vigorosos, que produzem muito calor para o corpo. O exercício aeróbico intenso praticado nessa temperatura de água provoca o aumento do calor interno, a elevação do metabolismo e da freqüência cardíaca e o aumento da circulação da distribuição de fluídos. Se a água estiver muito morna, há risco de superaquecimento. A dissipação do calor é de alguma forma impedida e o corpo não é resfriado adequadamente. A temperatura mais elevada é indicada para as atividades terapêuticas, como a hidromassagem e os exercícios de reabilitação muscular. Também é uma ótima temperatura para os programas específicos para artrite, Ai Chi (tai chi  aquático), Aquapilates, yoga aquático e alongamento.

A Tabela 1 indica as temperaturas recomendadas para vários programas de exercício. Trabalhar em temperaturas na faixa dos 28º e 30º C permite ao corpo reagir naturalmente e alcançar os benefícios do condicionamento físico, sem a preocupação de conservar o calor ou de superaquecer. As alterações fisiológicas decorrentes da temperatura da água são mínimas nesta faixa, e o corpo pode estabilizar a temperatura interna em níveis confortáveis. Logo que entrarem na piscina, os alunos devem ser orientados a iniciar a movimentação dos grandes músculos, com o objetivo de se adaptarem à mudança de temperatura do ar para a água. Também devem ser estimulados a manter algum tipo de movimento na maior parte do tempo em que estiverem na água, pois assim geram calor. Mesmo em pausas ligeiras, o processo de resfriamento tem início. Numa aula tradicional de aeróbica, os alunos devem manter algum tipo de movimento durante o período de alongamento; assim, mantêm a temperatura corporal durante o alongamento muscular. Por exemplo, durante o alongamento estático dos membros inferiores mantenha os membros superiores em movimento para gerar calor, ou vice versa. A quantidade de movimento necessário para manter a temperatura corporal vai depender da temperatura da água. Programas de exercícios aquáticos vigorosos, que produzem muito calor para o corpo como por exemplo Hidrotreinamento desenvolvido pelo Hidroesporte (ABOARRAGE, 2007), devem ser realizados em temperaturas mornas. Como vimos acima, uma temperatura entre 28º e 30º C é ideal para esse tipo de atividade. Entretanto, programas que requerem movimentos mais lentos e controlados, como as aulas de com equipamentos flutuantes, tonificação e alongamento, precisam de temperaturas ligeiramente mais altas. Talvez seja interessante que o instrutor evite os exercícios vigorosos em piscinas com temperaturas acima de 31º C e exercícios de baixa intensidade em temperatura abaixo de 27º C. Muitos estabelecimentos já se dão ao luxo de terem piscinas para hidroterapia e para aulas de hidroginástica. Isso faz com que a programação fique mais simplificada em relação à temperatura da água. Essa facilidade pode oferecer várias possibilidades de programação na temperatura apropriada. Normalmente, os administradores da piscina adotam uma faixa média de temperatura que permita a realização de todos os tipos de programas de exercícios. Por exemplo, uma temperatura de 29.1º C é aceitável para programas intensos, como natação e hidroginástica. Essa temperatura ainda pode ser aceitável para hidroterapia se os participantes usarem roupas para manter a temperatura corporal. A temperatura numa faixa média amplia as opções de exercícios e, conseqüentemente, aumenta o fluxo de alunos e a receita. Certifique-se de que seus alunos ouçam o próprio corpo. Se os alunos estiverem muito aquecidos, vá com calma; se estiverem muito frios, aumente a atividade e/ou os níveis de intensidade. Cada corpo é diferente e reage de forma individual ao exercício aquático. Estimule os alunos a encontrar o nível de conforto mais adequado, independentemente da temperatura da piscina.

Temperaturas recomendadas / Diretrizes e Padrões da AEA para Programas de Exercícios na Água

Tabela 1



Fonte manual do profissional do fitness aquático AEA, 2002.

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